<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Roberta Ferec]]></title><description><![CDATA[Roberta Ferec]]></description><link>https://robertaferec.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9npd!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F210dc4e5-1378-42ed-8148-6b867e779f7f_814x814.png</url><title>Roberta Ferec</title><link>https://robertaferec.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Wed, 04 Nov 2026 19:13:09 GMT</lastBuildDate><atom:link href="iframe.php?url=https%3A%2F%2Frobertaferec.substack.com%2Ffeed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Roberta Ferec]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[robertaferecsubstack@gmail.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[robertaferecsubstack@gmail.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Roberta Ferec]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Roberta Ferec]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[robertaferecsubstack@gmail.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[robertaferecsubstack@gmail.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Roberta Ferec]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[A mãe que estava preocupada demais pra morrer]]></title><description><![CDATA[Faz dois anos que minha filha sofre com dores de barriga.]]></description><link>https://robertaferec.substack.com/p/a-mae-que-estava-preocupada-demais</link><guid isPermaLink="false">https://robertaferec.substack.com/p/a-mae-que-estava-preocupada-demais</guid><dc:creator><![CDATA[Roberta Ferec]]></dc:creator><pubDate>Wed, 07 Oct 2026 09:50:16 GMT</pubDate><enclosure url="iframe.php?url=https%3A%2F%2Fsubstackcdn.com%2Fimage%2Ffetch%2F%24s_%219npd%21%2Cw_256%2Cc_limit%2Cf_auto%2Cq_auto%3Agood%2Cfl_progressive%3Asteep%2Fhttps%253A%252F%252Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%252Fpublic%252Fimages%252F210dc4e5-1378-42ed-8148-6b867e779f7f_814x814.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Faz dois anos que minha filha sofre com dores de barriga. Dois anos.</p><p>J&#225; fizemos todas as investiga&#231;&#245;es poss&#237;veis, descartamos doen&#231;a cel&#237;aca, alergias, intoler&#226;ncias. Fizemos exames, dietas, endoscopias. Nada, ningu&#233;m tem resposta.</p><p>O poss&#237;vel diagn&#243;stico da vez &#233; a tal da s&#237;ndrome do intestino irrit&#225;vel. L&#225; vamos n&#243;s com mais restri&#231;&#245;es, d&#250;vidas e frustra&#231;&#245;es.</p><p>Como m&#227;e, a vontade que d&#225; &#233; tirar a dor dos filhos com as m&#227;os, chorar escondida no banheiro e bater nos m&#233;dicos todos.</p><p>Quando voc&#234; se torna m&#227;e, te falam do maior amor do mundo, mas voc&#234; n&#227;o consegue ter a real dimens&#227;o desse amor e, sobretudo, do tipo de preocupa&#231;&#227;o que nasce com ele.</p><p>Outro dia me perguntaram se a preocupa&#231;&#227;o passa quando os filhos crescem. N&#227;o, n&#227;o passa. Muitas coisas na maternidade s&#227;o passageiras: as madrugadas em claro, as viroses e perebas que eles trazem da escolinha, os dramas escolares. Tudo isso, um dia, vira lembran&#231;a.</p><p>Mas a preocupa&#231;&#227;o, colegas, essa fica com a gente pra todo sempre, am&#233;m. &#201; uma preocupa&#231;&#227;o fiel e que n&#227;o arreda o p&#233;, que sai do ber&#231;o, entra na escola, faz a prova junto com eles, vai pro hospital, fica na sala de espera do consult&#243;rio m&#233;dico, atravessa aeroportos, muda de pa&#237;s.&nbsp;</p><p>Problema de filho &#233; nosso pra sempre, e a tristeza deles encontra morada vital&#237;cia dentro da gente.&nbsp;N&#227;o importa se eles t&#234;m tr&#234;s, treze ou trinta e tr&#234;s anos.</p><p>E como &#233; f&#225;cil reconhecer o olhar de uma m&#227;e preocupada, n&#233;? Pode reparar, a bichinha t&#225; ali, mas n&#227;o t&#225;. Ela t&#225; rindo, mas o olhar t&#225; perdido, tentando resolver aquele raio daquela febre que n&#227;o baixa, aquele resultado esquisito no exame de sangue, aquele problema cr&#244;nico de socializa&#231;&#227;o.&nbsp;</p><p>E eu amo que a gente tem o poder de enxergar isso umas nas outras, e que eu n&#227;o tenho que explicar pra outra m&#227;e que eu t&#244; preocupada - ela j&#225; entendeu na hora e, com sorte, j&#225; ofereceu um abra&#231;o, o telefone do pediatra, o contato de uma professora, o WhatsApp para apresentar uma crian&#231;a &#224; outra. M&#227;e estende a m&#227;o porque ela entende um idioma que ningu&#233;m mais traduz.</p><p>Outro dia ouvi um causo de uma senhora que estava internada no hospital, j&#225; nos seus &#250;ltimos dias de vida, quando ficou sabendo que sua filha precisaria fazer uma grande cirurgia.</p><p>Pois diz que ela adiou a morte. Mesmo estando nas &#250;ltimas, ela esperou a cirurgia da filha acabar para poder morrer. Ela esperou, pra ter certeza de que a filha estava bem.</p><p>Esperou porque estava preocupada demais para morrer.</p><p>Nasce um filho e, com ele, um amor t&#227;o avassalador que, ao entrar dentro de n&#243;s, explode. E ao explodir, nos divide em pedacinhos. </p><p>E um desses peda&#231;os, justamente o melhor deles, sai de n&#243;s e caminha livremente pelo mundo.&nbsp;Um filho &#233; um peda&#231;o nosso que tem pernas e vontades pr&#243;prias, e que vai sim experimentar as dores da vida. Faz parte do jogo. </p><p>xxx</p><p>Minha filha,</p><p>A gente vai descobrir o que te causa essa dor xexelenta, eu prometo. E quando a gente descobrir, eu vou arrancar a desgra&#231;ada com as minhas pr&#243;prias m&#227;os. N&#227;o se preocupe, meu amor, mam&#227;e est&#225; sempre com voc&#234;.</p><p>Voc&#234;s s&#227;o, de longe, meus melhores peda&#231;os. </p><p>Com amor,</p><p>Mam&#227;e</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Roubaram meu celular (e eu liguei pra mãe do ladrão.)]]></title><description><![CDATA[Quando eu morava em Londres, roubaram meu celular.]]></description><link>https://robertaferec.substack.com/p/roubaram-meu-celular-e-eu-liguei</link><guid isPermaLink="false">https://robertaferec.substack.com/p/roubaram-meu-celular-e-eu-liguei</guid><dc:creator><![CDATA[Roberta Ferec]]></dc:creator><pubDate>Tue, 22 Jul 2025 09:28:15 GMT</pubDate><enclosure url="iframe.php?url=https%3A%2F%2Fsubstackcdn.com%2Fimage%2Ffetch%2F%24s_%219npd%21%2Cw_256%2Cc_limit%2Cf_auto%2Cq_auto%3Agood%2Cfl_progressive%3Asteep%2Fhttps%253A%252F%252Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%252Fpublic%252Fimages%252F210dc4e5-1378-42ed-8148-6b867e779f7f_814x814.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu morava em Londres, roubaram meu celular. </p><p>Celular novinho, tinha menos de m&#234;s de vida, sabe cheirinho de f&#225;brica?</p><p>Na hora que eu percebi eu j&#225; liguei pro celular roubado e -pasmem &#8211; o ladr&#227;o atendeu. Ele tinha a voz bem rouca, nunca vou esquecer.</p><p>Fiquei t&#227;o p da vida, que esqueci de cancelar o n&#250;mero. No dia seguinte eu fui na delegacia, liguei na companhia telef&#244;nica e, pra minha surpresa e desespero, o desgra&#231;ado j&#225; tinha feito umas tr&#234;s chamadas para a Nig&#233;ria.</p><p>Eu n&#227;o tive d&#250;vida: liguei pro tal do n&#250;mero nigeriano. Atendeu uma mulher.</p><p>-Ol&#225;, eu disse, tudo bem? Eu sou do RH de uma empresa aqui em Londres. N&#243;s recentemente entrevistamos uma pessoa para ocupar um posto na nossa empresa, mas infelizmente os dados fornecidos est&#227;o ileg&#237;veis e tem um d&#237;gito faltando.</p><p>Deu certo. A mulher falava ingl&#234;s e imediatamente me disse &#8220;deve ser meu filho, mo&#231;a&#8221;. E me passou nome, endere&#231;o, telefone e o escambau.</p><p>No dia seguinte eu fui &#224; delegacia com todas as informa&#231;&#245;es do meliante. Os policiais morreram de rir, me acharam agilizad&#237;ssima e quase me deram um emprego vital&#237;cio na Scotland Yard. Me explicaram sobre a m&#225;fia dos celulares, agradeceram, me chamaram de boa menina, tal e coisa, tchau e b&#234;n&#231;&#227;o.</p><p>Mas eu ainda estava indignada, ent&#227;o resolvi ligar no tal do n&#250;mero fornecido por aquela que, supostamente, era a m&#227;ecega do delinquente. Era um telefone fixo.</p><p>Liguei, al&#244;.</p><p>-Al&#244;, posso falar com Fulano?</p><p>-Sou eu, disse o ladr&#227;o rouco. Reconheci a rouquid&#227;o vida bandida na-ho-ra.</p><p>-Olha s&#243;. Eu sei quem voc&#234; &#233;. E eu quero meu celular de volta.</p><p>Desligou.</p><p>Esperei duas horas, al&#244;.</p><p>-Al&#244;. Eu quero o meu celular. Se voc&#234; n&#227;o me devolver vou fazer da sua vida um inferno.</p><p>-N&#227;o sei do que c&#234; t&#225; falando.</p><p>-Sabe, sim, desgra&#231;a. Devolve.</p><p>Tu-tu-tu, desligou.</p><p>Deixo passar um dia, al&#244;.</p><p>-Sou eu de novo, devolve o meu celular.</p><p>-N&#227;o devolvo, ele est&#225; comigo but you&#8217;re so annoying (voc&#234; &#233; t&#227;o pentelha) que eu n&#227;o vou devolver.</p><p>-Ah, &#233;? Ent&#227;o me aguarde.</p><p>A partir daquele momento, ligar pra casa do ladr&#227;o rouco virou meu hobby, de dia e de noite. Ai, como eu adorava chegar da balada, &#224;s 3 da manh&#227;, e ligar pra casa dele. Ligava de manh&#227;, de madrugada, coloquei amiga pra ligar. </p><p>Como era um telefone fixo, sem identificador, ele atendia.</p><p>Um dia eu cansei.</p><p>-Oi, sou eu de novo. N&#227;o desliga! Olha s&#243;, eu cansei. Pode ficar com o celular.</p><p>E desliguei, certa de minha miss&#227;o: contar tudo pra m&#227;e dele.</p><p>Liguei pra mulher l&#225; na Nig&#233;ria e contei tudo. Ela ficou bem chateada. Ficamos no ma&#243; papo, ela me disse que ele nunca teve ju&#237;zo, mas que ela tinha dado um voto de confian&#231;a e deixado ele sozinho em Londres. Disse que queria voltar a viver l&#225; pra colocar o filho nos eixos, antes que fosse tarde demais, mas que o filho n&#227;o queria que ela voltasse. Claro que n&#227;o queria, com ela l&#225; ficava muito mais dif&#237;cil aprontar.</p><p>E o que era  pra ser uma chamadinha r&#225;pida e dedo duro virou todo um programa da Marcia Goldschmidt.</p><p>Pode ter sido uma grande mentira, mas senti muita verdade em sua voz quando ela disse:</p><p>-Sabe o qu&#234;? Ele que me aguarde, estou voltando pra Londres. Esse moleque vai se endireitar na vida, ah vai!</p><p>T&#225; certo que eu fiquei sem meu celular, mas me bateu uma sensa&#231;&#227;o t&#227;o boa de esperan&#231;a, de dever cumprido, sei l&#225;.</p><p>Claro que antes de dar o caso como encerrado ainda faltava uma liga&#231;&#227;ozinha&#8230;</p><p>Liguei, n&#227;o atendeu. Deixei recado na secret&#225;ria eletr&#244;nica:</p><p>-Oi, maldito, sou eu. S&#243; pra dizer que eu j&#225; esqueci do celular, t&#225; bom? S&#233;rio mesmo, j&#225; dei por perdido. Ah! E s&#243; pra te informar: ontem eu falei com a sua m&#227;e, l&#225; naquele n&#250;mero nigeriano que c&#234; ligou com meu celular. Ela parece ser uma pessoa muito legal e n&#227;o merecia ter um filho traste igual a voc&#234;. Menino, ela ficou super decepcionada quando soube que c&#234; t&#225; roubando celular em Londres. Por isso ela est&#225; vindo morar com voc&#234;! Diz que vai te colocar nos eixos. Bom, era isso. Acho que estamos quites.</p><p>(N&#227;o existia emoji naquela &#233;poca, mas se existisse com certeza seria: &#128133;&#127997;)</p><div><hr></div><p></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>